Muitas construtoras têm um "painel de indicadores" que alguém monta à mão no fim do mês, copiando números de cinco planilhas. Chega atrasado, ninguém confia nos números, e a reunião discute a planilha em vez da obra. O problema raramente é a escolha do indicador; é a falta de fórmula clara, de fonte de dado confiável e de alguém que aja quando o número muda.

Para a diretoria: poucos indicadores, com fonte confiável e alguém que age sobre eles, valem mais que um painel com trinta números que ninguém usa.

O que torna um indicador útil

Para cada indicador, defina por escrito:

  1. Fórmula — sem ambiguidade.
  2. Unidade e sentido — maior é melhor ou pior?
  3. Frequência — semanal, quinzenal, mensal.
  4. Fonte do dado — de qual processo o número sai.
  5. Responsável — quem age quando o indicador sai da faixa.

O item 4 decide se o indicador vai durar. Se o dado precisa ser compilado à mão, o indicador morre em três meses.

Custo e prazo

1. IDC — índice de desempenho de custo

  • Fórmula: valor agregado ÷ custo real (orçado do que foi executado ÷ custo apropriado do que foi executado).
  • Leitura: abaixo de 1, a obra está gastando mais do que o orçado para o que produziu.
  • Frequência: mensal, aberto por etapa.
  • Fonte: medição física + apropriação de custos.
  • Detalhes em análise de valor agregado.

2. IDP — índice de desempenho de prazo

  • Fórmula: valor agregado ÷ valor planejado.
  • Leitura: abaixo de 1, a obra está produzindo abaixo do ritmo planejado.
  • Frequência: quinzenal ou mensal.
  • Fonte: cronograma (linha de base) + medição física.

3. Desvio projetado de custo final

  • Fórmula: (projeção de custo final − orçamento) ÷ orçamento.
  • Leitura: o número que a diretoria precisa ver: quanto a obra vai fechar acima ou abaixo.
  • Frequência: mensal.
  • Fonte: realizado + comprometido + a comprometer revisado. Ver controle de custos de obra.

4. Custo realizado por m²

  • Fórmula: custo realizado acumulado ÷ área construída (ou equivalente), comparado ao orçado por m² na mesma etapa.
  • Uso: comparação entre obras e alimentação do próximo orçamento; não serve para controle mensal isolado.
  • Fonte: apropriação de custos.

Planejamento

5. PPC — percentual de pacotes concluídos

  • Fórmula: pacotes concluídos na semana ÷ pacotes planejados × 100.
  • Leitura: confiabilidade do planejamento de curto prazo. Acompanhe junto as causas de não conclusão.
  • Frequência: semanal.
  • Fonte: plano semanal. Ver Last Planner e PPC.

Suprimentos

6. Lead time de compra

  • Fórmula: data de entrega na obra − data da requisição, em dias, por categoria de material.
  • Leitura: quanto antes a obra precisa pedir. Alimenta o planejamento de compras.
  • Frequência: mensal.
  • Fonte: requisições e recebimentos.

7. Percentual de compras emergenciais

  • Fórmula: valor (ou número) de requisições com prazo de necessidade menor que o lead time da categoria ÷ total de requisições.
  • Leitura: sintoma de planejamento falho; compra urgente costuma sair mais cara e com menos cotação.
  • Frequência: mensal.
  • Fonte: requisições.

8. Entregas no prazo

  • Fórmula: pedidos entregues até a data combinada ÷ pedidos entregues no período.
  • Leitura: desempenho dos fornecedores. Use na avaliação de fornecedores.
  • Frequência: mensal.
  • Fonte: pedidos e recebimentos.

9. Divergência no recebimento

  • Fórmula: recebimentos com divergência (quantidade, preço ou especificação) ÷ recebimentos totais.
  • Leitura: qualidade do fornecimento e da conferência. Ver recebimento de materiais na obra.
  • Frequência: mensal.
  • Fonte: recebimentos conferidos contra pedido e nota.

Produção e qualidade

10. Produtividade (RUP) dos serviços da curva A

  • Fórmula: homens-hora ÷ quantidade executada, por serviço.
  • Leitura: comparada ao coeficiente do orçamento; acima dele, o custo de mão de obra estoura.
  • Frequência: semanal nos serviços em andamento.
  • Fonte: apontamento ou ponto com alocação + medição física. Ver produtividade da mão de obra.

11. Índice de perdas de material

  • Fórmula: (consumo real − consumo teórico) ÷ consumo teórico, para materiais da curva A (concreto, aço, argamassa, bloco).
  • Leitura: acima da perda considerada no orçamento, há desperdício, furto ou erro de quantidade.
  • Frequência: ao fim de cada etapa ou mensal.
  • Fonte: estoque (saídas por etapa) + quantidade executada. Ver desperdício de materiais.

Segurança

12. Taxa de frequência de acidentes

  • Fórmula: número de acidentes × 1.000.000 ÷ horas-homem trabalhadas (conforme a ABNT NBR 14280).
  • Leitura: comparável entre obras de tamanhos diferentes. Acompanhe também a taxa de gravidade.
  • Frequência: mensal.
  • Fonte: registro de acidentes + horas trabalhadas (ponto).

Resumo em uma tabela

#IndicadorSentidoFrequênciaFonte do dado
1IDCmaior é melhormensalmedição + apropriação
2IDPmaior é melhorquinzenalcronograma + medição
3Desvio projetado de customenor é melhormensalrealizado + comprometido
4Custo realizado por m²comparativopor etapaapropriação
5PPCmaior é melhorsemanalplano semanal
6Lead time de comprareferênciamensalrequisições e recebimentos
7% compras emergenciaismenor é melhormensalrequisições
8Entregas no prazomaior é melhormensalpedidos e recebimentos
9Divergência no recebimentomenor é melhormensalrecebimentos
10RUP (curva A)menor é melhorsemanalapontamento + medição
11Índice de perdasmenor é melhorpor etapaestoque + medição
12Taxa de frequência de acidentesmenor é melhormensalregistros + ponto

Diretoria e obra veem coisas diferentes

A diretoria precisa de poucos números, comparáveis entre obras e com tendência: IDC, IDP, desvio projetado de custo e PPC, por obra. O engenheiro precisa dos mesmos abertos por etapa e dos operacionais (RUP, perdas, divergências). Um painel com 30 indicadores para a diretoria esconde os quatro que importam. Para a visão consolidada de várias obras, veja como acompanhar várias obras ao mesmo tempo.

Indicadores que nascem dos processos

Os 12 indicadores acima não exigem nenhuma coleta extra — desde que requisição, pedido, recebimento, medição física, apropriação e ponto aconteçam no mesmo sistema. O painel de obras do EVOP reúne, por obra, custos previstos e realizados por etapa, avanço físico e financeiro, contratos, compras e medições, atualizado pelos próprios lançamentos da operação, com o Painel Multiobras para comparar as obras lado a lado. Os relatórios de compras trazem pedidos em aberto e atrasos de entrega; a avaliação de fornecedores, o histórico por fornecedor.

Agende uma demonstração e traga um caso real da sua obra para a conversa.

Perguntas frequentes

Quais os principais indicadores de uma obra?

Para a gestão, os de custo e prazo (IDC, IDP e projeção de custo final) e o de confiabilidade do planejamento (PPC). Para a operação, produtividade, perdas, suprimentos e segurança.

Quantos indicadores acompanhar?

Poucos para a diretoria (quatro ou cinco por obra, com tendência) e os demais abertos por etapa para a equipe da obra. Indicador sem responsável que aja sobre ele pode ser eliminado.

Como calcular a taxa de frequência de acidentes?

Número de acidentes multiplicado por um milhão, dividido pelas horas-homem trabalhadas no período, conforme a ABNT NBR 14280.

Fontes e referências