O cronograma diretor diz que a alvenaria do 5º pavimento começa na segunda-feira. Na segunda-feira, falta o bloco, o projeto de elétrica ainda está em revisão e a equipe de alvenaria foi deslocada para tapar um buraco no 2º pavimento. O cronograma não estava errado; o problema é que ninguém verificou, duas semanas antes, se o serviço podia começar.
Para a sua construtora: o planejamento semanal confiável é o que faz o cronograma acontecer. Equipe que chega e não tem frente liberada é dinheiro jogado fora.
O Last Planner System nasceu para fechar essa lacuna entre o plano e o canteiro. Ele não substitui o cronograma da obra: parte dele para garantir que a semana aconteça.
O que é o Last Planner System
O Last Planner System é um método de controle da produção desenvolvido por Glenn Ballard e Greg Howell, no contexto da construção enxuta (lean construction), que organiza o planejamento em níveis e transfere o compromisso de curto prazo para quem executa — o "último planejador". Seu objetivo é aumentar a confiabilidade do planejamento: que o que foi planejado para a semana seja, de fato, feito.
Os quatro verbos do método
| Pergunta | Nível | Quem responde |
|---|---|---|
| O que deveria ser feito? | cronograma diretor e de fases | planejamento |
| O que pode ser feito? | médio prazo (lookahead), com remoção de restrições | engenharia, suprimentos, projeto |
| O que será feito? | plano semanal, com compromisso | encarregados e empreiteiros |
| O que foi feito? | medição semanal e PPC | todos, com aprendizado das causas |
A diferença para o planejamento tradicional está no segundo e no terceiro níveis: o serviço só entra no plano da semana se puder, de fato, acontecer, e o compromisso é assumido por quem vai executar.
Médio prazo: o lookahead e a análise de restrições
Toda semana, a equipe olha uma janela de 4 a 6 semanas à frente do cronograma e, para cada pacote de trabalho que vai começar nesse período, pergunta: o que impede este serviço de começar na data?
As restrições mais comuns:
| Tipo | Exemplo |
|---|---|
| Projeto | revisão de projeto pendente, detalhe não liberado |
| Material | bloco não comprado, esquadria com prazo de fabricação de 30 dias |
| Mão de obra | empreiteiro não contratado, equipe ocupada em outra frente |
| Equipamento | grua compartilhada, andaime não montado |
| Área | pavimento ainda escorado, frente ocupada por outra equipe |
| Serviço anterior | instalação embutida não concluída, impermeabilização não testada |
| Condição externa | licença, vistoria, concessionária |
Cada restrição vira uma linha com responsável e data-limite para ser removida:
| Pacote | Início previsto | Restrição | Responsável | Remover até | Situação |
|---|---|---|---|---|---|
| Alvenaria 5º pav. | semana 22 | bloco não comprado | compras | semana 20 | em cotação |
| Alvenaria 5º pav. | semana 22 | projeto de elétrica rev. C | engenharia | semana 21 | aguardando projetista |
| Esquadrias 2º pav. | semana 24 | fabricação 30 dias | compras | semana 19 (pedido) | atrasado |
A tabela deixa explícito o que costuma ficar implícito: a esquadria do 2º pavimento já está atrasada, quatro semanas antes de ser necessária. Esse é o ganho do médio prazo — transformar atrasos futuros em tarefas de hoje. A restrição de material se resolve com planejamento de compras pela data de necessidade.
Curto prazo: o plano semanal
Na reunião semanal, entram no plano apenas os pacotes sem restrição pendente, e cada um com:
- descrição clara e local (alvenaria do 5º pavimento, apartamentos 501 a 504);
- quantidade (230 m²);
- responsável pela execução (empreiteiro ou encarregado);
- critério objetivo de "concluído".
Quem executa avalia se cabe na semana, com a equipe disponível. O compromisso é dele — e não da engenharia em nome dele.
Ter uma reserva de pacotes prontos (sem restrição, fora do caminho crítico) evita equipe parada quando um pacote travar no meio da semana.
PPC: medindo a confiabilidade
Ao fim da semana, cada pacote é marcado como concluído ou não. O indicador é:
PPC = pacotes concluídos ÷ pacotes planejados × 100
Exemplo: 20 pacotes planejados, 14 concluídos → PPC = 70%.
O PPC não mede produtividade, e sim confiabilidade: quanto do que foi prometido foi cumprido. Um PPC baixo e estável significa que o planejamento não serve de base para nada — compras, empreiteiros e cliente não podem confiar nas datas.
Regras para o PPC não enganar:
- pacote parcialmente feito conta como não concluído;
- pacotes adicionados no meio da semana não entram na conta;
- a meta é melhorar a tendência, não maquiar a semana (planejar pouco para "acertar" sempre).
Causas de não conclusão: onde está o aprendizado
Para cada pacote não concluído, registre a causa. Depois de algumas semanas:
| Causa | Ocorrências (8 semanas) | % |
|---|---|---|
| Falta de material | 14 | 30% |
| Serviço anterior não concluído | 11 | 23% |
| Mão de obra insuficiente | 8 | 17% |
| Projeto / definição | 6 | 13% |
| Chuva | 5 | 11% |
| Outros | 3 | 6% |
| Total | 47 | 100% |
Com 30% das falhas por material, a ação não é cobrar o encarregado, e sim olhar o fluxo de requisição, cotação e entrega e o recebimento. Com 23% por serviço anterior, a sequência e a medição de avanço precisam de atenção. É esse ciclo — medir, identificar a causa, agir na causa — que faz o método funcionar.
Como começar na sua obra
- Reunião semanal fixa, curta, com engenheiro, mestre, encarregados e empreiteiros principais.
- Lookahead de 4 semanas derivado do cronograma diretor, com a lista de restrições.
- Plano semanal só com pacotes sem restrição, com responsável e quantidade.
- PPC e causas registrados toda semana, num formato que permita somar ao longo do tempo.
- Ação sobre as duas maiores causas a cada mês.
Não é preciso implantar tudo de uma vez. A lista de restrições com responsável e data, sozinha, já muda a forma como a obra antecipa problemas.
Tarefas com dono, prazo e obra
Restrições com responsável e data-limite são, na prática, tarefas — e se perdem se ficarem numa ata. Nas tarefas do EVOP, cada tarefa tem responsável, prazo e obra relacionada, pode ser vista em lista, quadro, calendário ou Gantt e pode trazer o cronograma do orçamento para as tarefas da obra; o gestor acompanha as pendências por equipe e a carga de cada pessoa. O cronograma diretor de onde sai o lookahead é o do planejamento, e o avanço semanal pode ser registrado na medição física.
Quer ver isso funcionando com os números da sua construtora? Solicite uma demonstração.
Perguntas frequentes
O que é PPC na construção civil?
PPC (percentual de pacotes concluídos) é a razão entre os pacotes de trabalho concluídos na semana e os planejados. Mede a confiabilidade do planejamento de curto prazo.
Qual um bom PPC?
Mais importante que o número absoluto é a tendência de melhora e a análise das causas. Obras que começam com o método costumam ter PPC baixo nas primeiras semanas.
Last Planner substitui o cronograma?
Não. O cronograma diretor continua definindo prazos e marcos; o Last Planner organiza o médio e o curto prazo para que o cronograma seja cumprido.
Fontes e referências
- BALLARD, Herman Glenn. The Last Planner System of Production Control. Tese (PhD) — University of Birmingham, 2000.
- Lean Construction Institute — Last Planner System




