Para muitas construtoras, o PBQP-H entra na pauta por uma exigência: o agente financeiro, o programa habitacional ou o edital pedem a certificação. A empresa contrata uma consultoria, escreve procedimentos, passa na auditoria — e, um ano depois, descobre na auditoria de manutenção que os registros das obras não foram mantidos. O problema raramente é escrever o sistema; é fazer a obra gerar as evidências no dia a dia.

Para a sua construtora: a certificação abre a porta para programas habitacionais com recursos federais. Mantê-la depende de a obra registrar no dia a dia, não às vésperas da auditoria.

O que é o PBQP-H e o SiAC

O PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat) é um programa do governo federal, hoje vinculado ao Ministério das Cidades, voltado à qualidade e à produtividade na construção habitacional. O SiAC (Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil) é o seu sistema de certificação de construtoras: avalia o sistema de gestão da qualidade da empresa segundo um referencial próprio, baseado na ISO 9001 e com exigências específicas da construção.

Segundo o Ministério das Cidades, a certificação SiAC é pré-requisito para empresas que querem construir unidades habitacionais com recursos federais, e seus requisitos abrangem também a ABNT NBR 15575 (norma de desempenho de edificações habitacionais).

Os níveis B e A

Nível BNível A
Propósitoporta de entrada, para empresas desenvolvendo o sistema de gestão da qualidadesistema de gestão da qualidade completo
Requisitosparte dos requisitos do referencial (alguns excluídos, outros parciais)todos os requisitos
Escolhaa empresa escolhe o nível antes da auditoria

Programas habitacionais e agentes financeiros podem exigir um nível específico; confira a regra vigente do programa ou do edital antes de escolher.

O regimento vigente

O Regimento Geral do SiAC foi aprovado pela Portaria nº 75, de 14 de janeiro de 2021, e alterado pela Portaria nº 577, de 30 de março de 2021. O regimento geral define o funcionamento do sistema; o regimento específico de execução de obras e os referenciais normativos dos níveis trazem os requisitos auditados. Use sempre os documentos publicados no site do Ministério das Cidades — versões antigas (2012, 2018) ainda circulam na internet e não valem mais.

O ciclo de certificação

MomentoEtapa
Mês 0auditoria inicial por organismo de avaliação da conformidade (OAC) acreditado
Antes da emissãocorreção das não conformidades no prazo definido pelo OAC
Mês 12auditoria de avaliação (manutenção)
Mês 24auditoria de avaliação (manutenção)
Mês 36recertificação, iniciando novo ciclo

A lista de empresas certificadas, com nível e validade, é pública no site do PBQP-H.

O que a auditoria procura nas obras

Os referenciais organizam os requisitos de forma semelhante à ISO 9001, com particularidades da obra. Na prática, o auditor vai à obra e pede evidências de quatro frentes:

1. Planejamento da qualidade da obra. O plano da qualidade da obra: o que será controlado, como, por quem.

2. Serviços controlados. A empresa define a sua lista de serviços de execução controlados e, para cada um, um procedimento de execução e um procedimento de inspeção, com critérios de aceitação. A evidência é o registro da inspeção de cada serviço, em cada local: quem inspecionou, quando, o que foi verificado, se foi aprovado ou reprovado e o que se fez com o reprovado.

3. Materiais controlados. Para os materiais definidos como controlados, a empresa precisa especificá-los, inspecioná-los no recebimento e armazená-los adequadamente. Evidência: registro de recebimento com a verificação feita — ver recebimento de materiais na obra.

4. Fornecedores. Qualificação antes de contratar e avaliação de desempenho depois, para os fornecedores de materiais e serviços controlados. Evidência: cadastro, critérios e histórico de avaliações — ver avaliação de fornecedores.

Somam-se a isso, conforme o nível, requisitos de gestão (análise crítica, indicadores, treinamento, controle de documentos, tratamento de não conformidades).

Uma ficha de verificação de serviço

CampoExemplo
Serviçoalvenaria de vedação
Local3º pavimento, apartamento 302
Data14/05
Itens verificadosprumo (tolerância definida no procedimento), nível da 1ª fiada, amarração com a estrutura, espessura de juntas, vãos conforme projeto
Resultadoaprovado / reprovado (item e local)
Ação para reprovadorefazer amarração no eixo C; reinspeção em 16/05
Responsávelnome e assinatura

A diferença entre uma empresa que sustenta a certificação e uma que não sustenta está aqui: a ficha preenchida no dia, pela obra, e não reconstruída para a auditoria.

Como manter as evidências sem burocracia paralela

  1. Integre a inspeção à liberação do serviço. O pavimento só é liberado para o revestimento depois da inspeção da alvenaria registrada.
  2. Use o recebimento como evidência de material controlado, com os itens de verificação no próprio registro.
  3. Avalie o fornecedor a partir das entregas, não num formulário anual.
  4. Registre ocorrências no diário de obra com fotos — é evidência para várias exigências ao mesmo tempo.
  5. Trate não conformidades como pendências com responsável e prazo. Ver Last Planner e restrições.
  6. Acompanhe indicadores que a empresa já usa — perdas, retrabalho, entregas no prazo. Ver indicadores de obra.

Como escolher serviços e materiais controlados

A empresa define a própria lista dentro do que o referencial exige. Dois critérios práticos ajudam a priorizar:

  • Peso no custo: os serviços e materiais da curva A do orçamento — ver Curva ABC na obra.
  • Risco de desempenho: o que causa patologia, retrabalho ou reclamação de cliente se sair errado — impermeabilização, revestimento de fachada, instalações, estrutura.

O que está na lista precisa ter procedimento, ficha de verificação e alguém que efetivamente inspecione. Uma lista longa que a obra não consegue cumprir gera não conformidade na auditoria; uma lista coerente com a capacidade da equipe, cumprida, sustenta a certificação.

Preparando a primeira auditoria: um roteiro de seis meses

MêsAtividade
1diagnóstico do que já existe; escolha do nível; leitura do regimento e do referencial vigentes
2procedimentos de execução e de inspeção dos serviços controlados; especificação dos materiais controlados
3critérios de qualificação e avaliação de fornecedores; plano da qualidade das obras em andamento
4treinamento das equipes de obra; início dos registros (fichas, recebimento, avaliação de fornecedores)
5auditoria interna; tratamento das não conformidades encontradas
6análise crítica pela direção; contratação do OAC e auditoria inicial

O prazo real depende do porte da empresa e de quanto do processo já existe. O ponto crítico não é a documentação, e sim o mês 4: se os registros não entrarem na rotina da obra, a certificação não se sustenta até a primeira auditoria de manutenção.

Indicadores e melhoria

O referencial pede que a empresa monitore o desempenho do sistema e trate as não conformidades com ação corretiva. Indicadores que a obra já produz — perdas de material, retrabalho, entregas no prazo de fornecedores, satisfação do cliente na entrega — servem de base, desde que tenham fórmula, meta e responsável. Ver indicadores de obra. Confira no referencial vigente e nos requisitos dos programas habitacionais se há indicadores específicos exigidos.

Onde o EVOP entra (e onde não entra)

O EVOP não é um sistema de gestão da qualidade completo nem substitui os procedimentos e as fichas de inspeção da sua empresa. Ele ajuda em parte das evidências que nascem da operação: a avaliação de fornecedores registra, a cada entrega, prazo, qualidade e conformidade, e mostra a nota do fornecedor no mapa de cotações; o recebimento confere a entrega contra o pedido e a nota; o diário de obra registra atividades, ocorrências e fotos pelo aplicativo; e as tarefas organizam pendências com responsável, prazo e checklist.

Quer ver isso funcionando com os números da sua construtora? Solicite uma demonstração.

Perguntas frequentes

O que é PBQP-H?

É o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, do governo federal. O SiAC é o seu sistema de certificação de construtoras.

Qual a diferença entre o nível A e o nível B do SiAC?

O nível B exige parte dos requisitos e serve como entrada; o nível A exige o sistema de gestão da qualidade completo.

Quanto tempo vale a certificação SiAC?

O ciclo é de 36 meses, com auditorias de avaliação aos 12 e aos 24 meses e recertificação ao final.

O PBQP-H é obrigatório?

Não para toda construtora, mas é pré-requisito para construir unidades habitacionais com recursos federais e pode ser exigido por programas, editais e agentes financeiros.

Fontes e referências