Um cronograma pode ter prazo, precedências e caminho crítico corretos e, ainda assim, ser impossível de executar: na semana 8, ele pede 34 pessoas num canteiro que comporta 25, e na semana 6, apenas 18. O histograma de mão de obra é a forma de enxergar isso antes de mobilizar a primeira equipe.

Para a sua construtora: contratar e dispensar em sequência custa rescisão, integração e produtividade. Nivelar a equipe reduz custo sem mudar o prazo.

O que é histograma de mão de obra

Histograma de mão de obra é o gráfico de barras que mostra, para cada período da obra, a quantidade de trabalhadores necessária — no total e por função (pedreiro, servente, carpinteiro, armador, eletricista). Ele é obtido somando a equipe alocada a cada atividade do cronograma nos períodos em que ela acontece.

Como montar

  1. Cronograma com durações calculadas pela produtividade. A mesma equipe usada no cálculo da duração é a que vai para o histograma. Ver cronograma de obra passo a passo.
  2. Equipe por atividade e por função. Alvenaria do 3º pavimento: 3 pedreiros e 2 serventes, por 8 dias.
  3. Some por período (semana é o mais útil) e por função.
  4. Inclua a equipe indireta (mestre, apontador, almoxarife, vigia) como linha fixa, se quiser ver o efetivo total do canteiro.
  5. Inclua os empreiteiros. Equipes terceirizadas ocupam o mesmo canteiro, refeitório e vestiário.

Exemplo: 12 semanas de uma obra

Efetivo total de produção por semana, com o cronograma calculado sem olhar recursos:

Semana123456789101112
Efetivo6101422301826342016106
  • Total: 212 pessoas-semana. Média: 17,7 pessoas por semana.
  • Pico: 34 pessoas, na semana 8.
  • Pico ÷ média = 1,92.

Lendo o gráfico: a obra sobe a 30 pessoas na semana 5, cai para 18 na 6 e volta a 34 na 8. Na prática, ou se dispensa e recontrata gente em três semanas — com o custo de rescisão e de integração —, ou se mantém o pico com gente parada na semana 6.

Por que picos custam caro

  • Mobilização e desmobilização. Cada contratação tem exame admissional, integração de segurança, EPI; cada dispensa, verbas rescisórias (é por isso que o grupo C dos encargos sociais pesa na construção).
  • Ociosidade. Quem não é dispensado no vale fica parcialmente parado — o custo aparece como queda de produtividade.
  • Congestionamento. Acima de certa densidade, equipes atrapalham umas às outras no mesmo pavimento, e a produtividade de todas cai.
  • Infraestrutura do canteiro. Vestiário, refeitório e sanitários são dimensionados para o pico; a NR-18 estabelece requisitos de áreas de vivência proporcionais ao número de trabalhadores.

Nivelamento: usando as folgas

Nivelar recursos é deslocar atividades dentro da sua folga para reduzir picos sem alterar o prazo da obra. As candidatas são as atividades fora do caminho crítico. Ver caminho crítico em obras.

No exemplo, as instalações e as esquadrias tinham folga. Deslocando parte das instalações da semana 5 para a 6 e alongando as esquadrias com uma equipe menor (e mais semanas):

Semana123456789101112
Antes6101422301826342016106
Depois6101622242426262218126
  • Total: os mesmos 212 pessoas-semana — o trabalho não mudou.
  • Pico: 26 pessoas. Pico ÷ média = 1,47.
  • Prazo: o mesmo.

O pico caiu 8 pessoas e o efetivo ficou quase constante entre as semanas 5 e 9 — a obra contrata uma vez e mantém a equipe.

Quando a folga não basta

Se o pico está no caminho crítico, nivelar significa escolher:

OpçãoEfeito
Manter a equipe e aceitar o prazo maiorprazo aumenta
Manter o prazo e aceitar o picocusto de mobilização e congestionamento
Mudar o método (pré-fabricados, outra sequência)pode reduzir mão de obra no pico
Turno extra ou horas extrascusto maior por hora; limites legais

A decisão é de gestão, não do software. O histograma só garante que ela seja tomada antes do problema, e não no canteiro.

Histograma por função

O total pode estar nivelado e uma função específica, não. Uma obra com efetivo constante de 24 pessoas pode precisar de 10 carpinteiros numa semana e nenhum na seguinte. Faça o histograma também por função crítica (carpinteiro, armador, eletricista), especialmente para mão de obra própria, que não se dispensa e recontrata com facilidade.

Histograma de equipamentos

A mesma lógica vale para equipamentos: grua, elevador de obra, betoneira, bomba, escavadeira. Some, por semana, os equipamentos que cada atividade usa. Dois sinais que o histograma revela:

  • Conflito: duas atividades em paralelo precisando da mesma grua no mesmo horário — uma delas vai esperar, e o cronograma não sabe disso.
  • Ociosidade: equipamento locado por mês e usado duas semanas. Ajustar a sequência das atividades (dentro da folga) pode encurtar o período de locação.

Para equipamento próprio, o histograma é também a base do custo apropriado por obra — ver custo horário de equipamentos.

Do histograma ao custo

O histograma também é base de orçamento e de controle:

  • Administração local: vestiário, refeitório, transporte e alimentação dimensionados pelo efetivo.
  • Apropriação: o efetivo real por semana, comparado ao planejado, mostra se a obra está usando mais gente do que previa para o mesmo avanço — um sinal precoce de produtividade abaixo do orçado.

O efetivo real pode vir do diário de obra ou do ponto eletrônico, com a equipe alocada por obra.

Histograma e nivelamento no planejamento

No planejamento do EVOP, as equipes são planejadas no cronograma gerado do orçamento, e os histogramas de recursos e o nivelamento da mão de obra ao longo da obra ficam ao lado do Gantt, da rede PERT e da Linha de Balanço. Com a obra em andamento, o RH e ponto eletrônico registra as equipes alocadas por obra e o efetivo real.

Para ver esse fluxo no EVOP com uma obra sua, fale com um especialista.

Perguntas frequentes

O que é nivelamento de recursos?

É o ajuste das datas das atividades, dentro das folgas, para reduzir picos e vales no uso de um recurso (mão de obra, equipamento) sem alterar o prazo final.

Qual a diferença entre histograma e cronograma?

O cronograma mostra quando cada atividade acontece. O histograma mostra quantas pessoas (ou equipamentos) todas as atividades juntas exigem em cada período.

Como saber se o histograma está bom?

Uma forma simples: compare o pico com a média. Quanto mais próximo de 1, mais estável o efetivo. Variações bruscas de uma semana para outra também indicam necessidade de nivelamento.

Fontes e referências