Toda obra atrasada tem uma reunião em que alguém propõe "colocar mais gente" — e muitas vezes a equipe extra vai para um serviço que não muda a data de entrega. O caminho crítico existe para evitar isso: ele mostra quais atividades, se atrasarem, atrasam a obra, e quais têm margem.

Para a sua construtora: saber quais atividades são críticas é saber onde colocar gente e dinheiro para recuperar prazo. O resto é esforço que não muda a data de entrega.

O que é caminho crítico

Caminho crítico é a sequência de atividades de um cronograma, ligadas por dependências, com a maior duração total e, por isso, sem folga. A soma das durações do caminho crítico é o prazo mínimo da obra. O método de cálculo é o CPM (Critical Path Method), desenvolvido no fim da década de 1950 por Kelley e Walker.

Os conceitos que o cálculo usa

SiglaNomeSignificado
ICinício mais cedoprimeiro dia em que a atividade pode começar
TCtérmino mais cedoIC + duração
ITinício mais tardeúltimo dia em que pode começar sem atrasar a obra
TTtérmino mais tardeIT + duração
FTfolga totalIT − IC: quanto pode atrasar sem atrasar a obra
FLfolga livrequanto pode atrasar sem atrasar nenhuma sucessora

Exemplo: rede de uma obra com 11 atividades

Durações em dias úteis; todas as ligações são término-início, para simplificar.

AtividadeDuraçãoPredecessoras
A — Mobilização5—
B — Fundações15A
C — Estrutura40B
D — Cobertura10C
K — Calhas e rufos4D
E — Alvenaria30C
F — Instalações25C
G — Revestimentos20E, F
H — Esquadrias8G
I — Pintura15G, K
J — Limpeza e entrega2H, I

Passagem de ida: datas mais cedo

Começa em zero. O IC de cada atividade é o maior TC entre as predecessoras.

AtividadeICTC
A05
B520
C2060
D6070
K7074
E6090
F6085
Gmax(90; 85) = 90110
H110118
Imax(110; 74) = 110125
Jmax(118; 125) = 125127

O prazo mínimo da obra é de 127 dias úteis.

Passagem de volta: datas mais tarde

Começa no fim (TT de J = 127) e volta. O TT de cada atividade é o menor IT entre as sucessoras.

AtividadeTTITFolga total (IT − IC)
J1271250
I1251100
H1251177
Gmin(117; 110) = 110900
K11010636
D1069636
E90600
F90655
Cmin(96; 60; 65) = 60200
B2050
A500

Caminho crítico: A → B → C → E → G → I → J (5 + 15 + 40 + 30 + 20 + 15 + 2 = 127 dias).

Folga total × folga livre

Veja a cobertura (D) e as calhas (K):

  • D tem folga total de 36 dias: pode atrasar até 36 dias sem atrasar a obra.
  • Mas D tem folga livre de zero: K começa assim que D termina (IC de K = 70 = TC de D). Qualquer dia de atraso em D atrasa K.
  • K tem folga total de 36 e folga livre de 36 (I só precisa dela no dia 110).

A folga de 36 dias é compartilhada pelas duas. Se a cobertura atrasar 30 dias, sobram só 6 para as calhas. É o erro mais comum de quem lê folga atividade por atividade: o encarregado da cobertura "usa a folga" e o das calhas descobre que ela acabou.

Já a instalação (F) tem folga total e livre de 5 dias; as esquadrias (H), de 7.

Como usar o caminho crítico na gestão

Para recuperar prazo. Só reduzir atividades críticas encurta a obra. Reduzir F (instalações) em 5 dias não muda nada; reduzir E (alvenaria) em 5 dias encurta a obra em 5 dias — até que F, que tem só 5 dias de folga, também vire crítica.

Para priorizar compras e contratações. Material e empreiteiro das atividades críticas precisam estar garantidos antes do IC. Um atraso de entrega no aço da estrutura (crítica) é diferente de um atraso nas louças.

Para avaliar pedidos de prorrogação. Um evento que atrasa uma atividade com folga suficiente não justifica prorrogação do prazo da obra; um que atrasa uma atividade crítica, em princípio, sim. É por isso que a rede atualizada é um documento importante em pleitos.

Para alocar a equipe. Folga das atividades não críticas é o espaço para nivelar a mão de obra sem mexer no prazo. Ver histograma de mão de obra.

O caminho crítico muda

À medida que a obra avança, atividades atrasam e outras adiantam — e o caminho crítico se desloca. No exemplo, se as instalações atrasarem 6 dias, F passa a ser crítica e o prazo aumenta 1 dia, mesmo com a alvenaria em dia. Por isso:

  • recalcule a rede a cada atualização do cronograma;
  • acompanhe os caminhos quase críticos (folga pequena, como F com 5 dias);
  • evite datas fixas impostas à mão, que escondem o cálculo.

E o PERT?

O PERT, desenvolvido na mesma época, trabalha com três estimativas de duração — otimista (a), mais provável (m) e pessimista (b) — e usa a média ponderada (a + 4m + b) ÷ 6. É útil em atividades com incerteza grande (fundações em solo pouco conhecido, aprovações). Na prática de obra, "rede PERT" virou sinônimo do diagrama de rede, e o cálculo de caminho crítico é feito pelo CPM.

Na prática

Calcular a rede à mão serve para entender o método; numa obra real, com centenas de atividades e ligações com defasagem, o cálculo precisa ser automático — e refeito a cada atualização. No planejamento do EVOP, o cronograma é montado a partir dos serviços do orçamento, com precedências, durações e calendários, e visualizado em Gantt e em rede PERT, com a Curva S e os histogramas de recursos ligados ao mesmo cronograma. Para o passo a passo da montagem, veja cronograma de obra.

Para ver esse fluxo no EVOP com uma obra sua, fale com um especialista.

Perguntas frequentes

Como identificar o caminho crítico?

Faça a passagem de ida (datas mais cedo) e a de volta (datas mais tarde). As atividades com folga total igual a zero formam o caminho crítico.

Uma obra pode ter mais de um caminho crítico?

Sim. Dois caminhos com a mesma duração total são ambos críticos — o que torna o prazo mais arriscado.

Qual a diferença entre folga total e folga livre?

Folga total é quanto a atividade pode atrasar sem atrasar a obra. Folga livre é quanto pode atrasar sem atrasar a atividade seguinte.

Fontes e referências