"A máquina é nossa, então a escavação sai mais barata." Sai, se a máquina trabalha bastante. Uma retroescavadeira própria que passa metade do ano parada no pátio carrega a depreciação, o custo do capital e o seguro desse tempo todo — e o custo por hora trabalhada sobe. Sem a conta, a construtora orça escavação com custo de máquina subestimado e decide comprar equipamento que deveria alugar.

Para a sua construtora: máquina própria parada no pátio carrega custo todo mês. A conta do custo horário diz quando comprar compensa e quando alugar é melhor negócio.

O que é custo horário de equipamento

Custo horário de equipamento é o custo de uma hora de uso de uma máquina, somando os custos de propriedade (depreciação, juros do capital, seguros e impostos), de manutenção, de operação (combustível, lubrificantes) e de mão de obra do operador. Distingue-se o custo produtivo (máquina operando) do improdutivo (máquina à disposição do serviço, parada).

Os componentes

ComponenteComo calcularProdutivoImprodutivo
Depreciação(valor de aquisição − valor residual) ÷ vida útil em horassimsim
Juros (custo do capital)valor médio investido × taxa anual ÷ horas trabalhadas no anosimsim
Seguros e impostoscusto anual ÷ horas trabalhadas no anosimsim
Manutençãopercentual da depreciação ou custo histórico por horasimem geral não, ou parcial
Combustívelconsumo (L/h) × preço do litrosimnão
Lubrificantes e filtrospercentual do combustível ou custo por horasimnão
Operadorsalário com encargos ÷ horas mensaissimsim

É a mesma lógica usada pelo SICRO, do DNIT, para os equipamentos das composições de infraestrutura — ver SICRO.

Exemplo: retroescavadeira

Premissas ilustrativas:

  • Valor de aquisição: R$ 450.000
  • Valor residual: 30% (R$ 135.000)
  • Vida útil: 10.000 horas
  • Uso: 2.000 horas por ano
  • Custo do capital: 12% ao ano, sobre o valor médio investido (aquisição + residual) ÷ 2 = R$ 292.500
  • Seguro e impostos: 1,5% do valor ao ano
  • Manutenção: 80% da depreciação horária (use o histórico da sua frota quando houver)
  • Combustível: 8 L/h × R$ 6,20
  • Lubrificantes e filtros: 15% do combustível
  • Operador: R$ 6.500 por mês com encargos, 176 horas mensais
ComponenteR$/h
Depreciação: (450.000 − 135.000) ÷ 10.00031,50
Juros: 292.500 × 12% ÷ 2.00017,55
Seguro e impostos: 450.000 × 1,5% ÷ 2.0003,38
Manutenção: 80% × 31,5025,20
Combustível: 8 × 6,2049,60
Lubrificantes: 15% × 49,607,44
Operador: 6.500 ÷ 17636,93
Custo horário produtivo171,60
Custo horário improdutivo (depreciação, juros, seguro, operador)89,36

A hora parada custa mais da metade da hora trabalhando.

Quantas horas por ano a máquina trabalha?

Juros e seguro são custos anuais fixos (R$ 35.100 + R$ 6.750 = R$ 41.850 no exemplo). Divididos por menos horas, pesam mais por hora:

Horas trabalhadas por anoCusto horário produtivo
2.000R$ 171,60
1.200R$ 185,55
800R$ 202,98

Simplificação: a depreciação foi mantida por hora. Na prática, máquina pouco usada também perde valor com o tempo, e o custo por hora sobe ainda mais.

Comprar ou alugar

Suponha uma locação a R$ 150/h com operador, manutenção por conta do locador e combustível por conta da construtora: R$ 150 + R$ 49,60 = R$ 199,60/h.

O custo da máquina própria por hora é aproximadamente: R$ 150,67 (custos que variam com as horas) + R$ 41.850 ÷ horas por ano. O ponto de equilíbrio:

150,67 + 41.850 ÷ H = 199,60 → H ≈ 855 horas por ano

Abaixo de ~855 horas por ano, alugar é mais barato; acima, a máquina própria compensa — desde que a construtora tenha obras para mantê-la ocupada, estrutura de manutenção e controle de uso. Ainda há fatores fora da conta: disponibilidade na hora em que a obra precisa, transporte entre obras, risco de máquina parada por quebra.

Apropriação: o custo precisa chegar à obra

Uma frota própria costuma ficar num centro de custo de "equipamentos". Se esse custo não for distribuído às obras pelo uso, as obras parecem mais baratas do que são, e o centro de equipamentos parece um prejuízo isolado. A distribuição precisa de:

  1. Alocação — em que obra (e período) a máquina está;
  2. Horímetro — horas trabalhadas, registradas com frequência;
  3. Abastecimentos — combustível por máquina e por obra;
  4. Custo horário — o calculado acima, revisado com os custos reais de manutenção.

Custo apropriado na obra = horas produtivas × custo produtivo + horas à disposição × custo improdutivo. Na obra, esse custo vai para a etapa do orçamento em que a máquina trabalhou — ver controle de custos de obra e centro de custo na construtora.

Exemplo de apropriação mensal entre duas obras

No mês, a retroescavadeira trabalhou 120 horas na Obra A, ficou 30 horas à disposição da Obra A (parada esperando frente) e trabalhou 60 horas na Obra B:

ObraHoras produtivasHoras à disposiçãoCálculoCusto apropriado
A12030120 × 171,60 + 30 × 89,36R$ 23.273
B60060 × 171,60R$ 10.296

As 30 horas paradas custaram R$ 2.681 à Obra A. Sem o registro, esse custo ficaria no centro de equipamentos — e a Obra A pareceria mais barata do que foi, enquanto a frota pareceria dar prejuízo.

Equipamento locado: o que conferir

Locação também precisa de controle, mesmo sem depreciação:

  • horas mínimas contratadas por mês (paga-se mesmo sem usar);
  • franquia de horas e o preço da hora excedente;
  • mobilização e desmobilização (frete de ida e volta);
  • manutenção e quebra: quem paga, e se o período parado é descontado;
  • combustível e operador: por conta de quem;
  • data de devolução — locação esquecida no fim da obra é um dos custos mais comuns no encerramento.

Indicadores da frota

IndicadorFórmulaLeitura
Taxa de utilizaçãohoras trabalhadas ÷ horas disponíveis no períodobaixa utilização encarece a hora e indica excesso de frota
Custo horário realcustos do período ÷ horas trabalhadascompare com o custo horário usado nos orçamentos
Custo de manutenção por horagastos de manutenção ÷ horas trabalhadassinal de fim de vida útil econômica
Horas à disposiçãohoras paradas alocadas à obrasinal de planejamento ruim de frente de serviço

Manutenção: do percentual ao custo real

O percentual sobre a depreciação é um ponto de partida. Com o histórico das ordens de manutenção (peças, horas de mecânico, serviços externos) por máquina, o custo real por hora substitui a estimativa — e mostra quais equipamentos estão no fim da vida útil econômica, quando a manutenção passa a custar mais do que a depreciação de uma máquina nova.

Erros comuns

  1. Orçar escavação só com combustível e operador, "porque a máquina é nossa".
  2. Ignorar o custo do capital — o dinheiro na máquina poderia render ou reduzir dívida.
  3. Mesmo custo horário para máquina nova e com 9 mil horas.
  4. Horímetro não registrado — custo distribuído por estimativa.
  5. Máquina parada à disposição de uma obra sem custo para ela.

Equipamentos com custo na obra certa

No controle de equipamentos do EVOP, equipamentos próprios e locados são alocados e transferidos entre obras, com registro de horímetro e abastecimentos, planos e ordens de manutenção com materiais e custos, acompanhamento de depreciação e vida útil, e o custo do equipamento apropriado na obra e na etapa que o consumiu. Os relatórios mostram utilização por equipamento, custo por hora e manutenções.

Para ver esse fluxo no EVOP com uma obra sua, fale com um especialista.

Perguntas frequentes

Como calcular o custo horário de um equipamento?

Some, por hora, depreciação, juros do capital, seguros e impostos, manutenção, combustível, lubrificantes e operador. Os custos anuais fixos são divididos pelas horas trabalhadas no ano.

Qual a diferença entre custo produtivo e improdutivo?

Produtivo é o custo da hora com a máquina operando. Improdutivo é o custo da hora em que ela está à disposição, parada — sem combustível e, em geral, sem parte da manutenção.

Vale mais a pena comprar ou alugar equipamento?

Depende de quantas horas por ano a máquina vai trabalhar. Calcule o ponto de equilíbrio entre o custo próprio por hora e o custo da locação.

Fontes e referências