Na obra sem controle de estoque, compra-se cimento duas vezes porque "não tinha" — e, no fim, sobram 40 sacos endurecidos no fundo do depósito. Ou falta o disjuntor que foi comprado, porque foi parar em outra obra sem que ninguém registrasse. O almoxarifado é a ponte entre compras e execução, e quando ela não tem controle, os dois lados trabalham às cegas.

Para a sua construtora: material comprado duas vezes, sumiço sem explicação e obra parada por item que 'tinha no depósito' são dinheiro saindo pelo almoxarifado.

O que é controle de estoque na obra

Controle de estoque na obra é o registro de todas as entradas, saídas e transferências de materiais, por item e por local (obra, depósito), de modo que o saldo do sistema corresponda ao saldo físico e que cada material consumido seja apontado na etapa em que foi aplicado.

Entradas: só por recebimento conferido

Toda entrada deveria nascer de um recebimento conferido contra o pedido — ver recebimento de materiais na obra. Material que entra "por fora" (sobra de outra obra, devolução de empreiteiro, compra no caixa) precisa de um lançamento próprio, senão o saldo nunca bate.

Saídas: sempre com destino

A saída é o momento mais importante e o mais negligenciado. Cada saída precisa dizer:

  • o quê e quanto;
  • para onde: etapa ou serviço do orçamento (alvenaria do 3º pavimento), ou empreiteiro responsável;
  • quem retirou e quem autorizou.

O destino é o que transforma o consumo em apropriação de custo — é ele que permite saber, depois, quanto de argamassa a alvenaria do 3º pavimento realmente consumiu e comparar com o orçado. Saída "para a obra", sem etapa, gera custo que ninguém consegue analisar. Ver previsto × realizado.

Material fornecido a empreiteiro (quando o contrato prevê) deve sair em nome dele, para conferência contra a quantidade executada e, se for o caso, desconto na medição.

Valorização: custo médio ponderado

O estoque precisa de valor, e a saída também. O método mais usado e mais coerente para obra é o custo médio ponderado: a cada entrada, o custo médio do item é recalculado.

Exemplo — cimento CP II, saco de 50 kg:

MovimentoQuantidadeCusto unit. (R$)SaldoCusto médio (R$)Valor do saldo (R$)
Entrada20038,0020038,007.600,00
Entrada30040,0050039,2019.600,00
Saída — alvenaria 3º pav.15039,2035039,2013.720,00
Entrada10041,0045039,6017.820,00
Saída — contrapiso 2º pav.8039,6037039,6014.652,00

A saída de 150 sacos para a alvenaria custa 150 × 39,20 = R$ 5.880 na apropriação da etapa.

Transferências entre obras

Quando a construtora tem várias obras, transferir material é comum — e é a origem de muitos saldos errados. Uma transferência tem duas pontas:

  1. Saída da obra de origem (pelo custo médio de lá);
  2. Entrada na obra de destino (pelo mesmo valor).

Se só uma das pontas for registrada, uma obra fica com saldo a menos e a outra com material "fantasma". O custo também precisa sair de uma obra e entrar na outra — senão a obra de origem carrega um custo que não é dela.

Inventário rotativo pela curva ABC

Contar todo o estoque de uma vez exige parar o almoxarifado. A alternativa é o inventário rotativo: contar uma parte dos itens com frequência, priorizando os de maior valor.

ClasseItens (exemplo)Frequência de contagem
Aaço, cimento, cabos, porcelanato, metaismensal
Bargamassas, tubos e conexões, tintastrimestral
Cparafusos, abrasivos, pequenos acessóriossemestral ou no fim da obra

A curva ABC do estoque segue a mesma lógica da do orçamento — ver Curva ABC na obra.

Divergência de inventário: o que fazer

Exemplo: o sistema mostra 420 sacos de cimento; a contagem encontra 395. Diferença de 25 sacos (6%).

Antes de ajustar, investigue nesta ordem:

  1. Saída não lançada — o material foi usado e ninguém registrou? Confira o diário e a produção da semana.
  2. Recebimento lançado e não entregue — a nota foi lançada pela quantidade da nota, mas chegou menos?
  3. Transferência registrada só de um lado.
  4. Perda física — material endurecido, molhado, quebrado.
  5. Furto.

Depois da investigação, ajuste com justificativa: o saldo do sistema passa para o físico, e o motivo fica registrado. Ajuste sem justificativa esconde o problema; diferenças recorrentes no mesmo item indicam falha de processo (saída não registrada) ou perda que precisa ser tratada — ver desperdício de materiais.

Um indicador simples: acuracidade do inventário = itens contados sem divergência ÷ itens contados.

Organização física do almoxarifado de obra

  • Endereçamento: cada item num lugar identificado.
  • Primeiro que entra, primeiro que sai para itens com validade (cimento, argamassa, adesivos, tintas).
  • Armazenamento conforme o fabricante — cimento sobre estrado, longe da umidade e em pilhas na altura recomendada; aço sobre apoios, separado por bitola, protegido da corrosão.
  • Acesso controlado: saída só com requisição interna.
  • Itens de alto valor (cabos, metais, ferramentas) em área fechada.

Estoque não é objetivo

Estoque grande dá sensação de segurança, mas imobiliza caixa, ocupa espaço e aumenta perda. O objetivo é disponibilidade no momento da necessidade, o que depende mais do planejamento de compras do que de ter muito material parado.

Estoque por obra e por depósito

No controle de estoque do EVOP, o recebimento dá entrada automática no estoque da obra, a saída para aplicação apropria o custo na etapa do orçamento, as transferências entre obras e depósitos são registradas nas duas pontas, e os inventários e ajustes ficam com justificativa. Saldos e custo médio aparecem por obra, por depósito e por insumo. A apropriação de custos usa essas saídas para o previsto × realizado por etapa.

Quer ver isso funcionando com os números da sua construtora? Solicite uma demonstração.

Perguntas frequentes

Como controlar o estoque de uma obra?

Registrando toda entrada a partir do recebimento conferido, toda saída com destino (etapa ou serviço), as transferências nas duas pontas e fazendo inventários rotativos, com ajuste justificado de cada diferença.

Qual o melhor método de custo para estoque de obra?

O custo médio ponderado é o mais usado: simples, coerente e adequado ao consumo contínuo de materiais.

Com que frequência fazer inventário na obra?

Itens de maior valor (classe A) mensalmente; os demais em ciclos maiores, e um inventário geral no encerramento da obra.