O estudo de viabilidade prometeu 15% de margem. Três anos depois, com as chaves entregues, a contabilidade fecha: 8%. No meio do caminho, todo mundo tinha um pedaço da informação — o comercial sabia o preço de cada venda, a construtora sabia o custo da obra, o financeiro sabia o que entrou. Ninguém juntava as três coisas — e o resultado do empreendimento imobiliário só apareceu quando já não havia o que decidir.

As três fontes do resultado do empreendimento imobiliário

FonteOnde costuma estarO que responde
VendasCRM ou planilha do comercialquanto foi vendido, a que preço, quanto falta vender
Custo da obrasistema ou planilha da construtoraquanto custou, quanto falta para terminar
Recebíveisplanilha do financeiroquanto entrou, quanto vai entrar, quanto está atrasado

O resultado do empreendimento é a combinação das três — e precisa ser calculado com a mesma data de corte. Quando cada fonte está num lugar, juntar vira um trabalho manual que acontece, na melhor das hipóteses, uma vez por ano.

O que se perde quando o resultado chega no fim

Preço de venda sem referência de custo. O comercial dá desconto para acelerar as vendas sem saber que o custo da obra subiu 6%.

Custo sem referência de receita. A obra aceita um aditivo de acabamento sem saber se a tabela de vendas comporta.

Recebível corrigido sem conferência. As parcelas corrigidas pelo INCC são calculadas à mão, unidade por unidade, e os erros aparecem só na quitação. Veja correção pelo INCC nas parcelas.

Caixa sem projeção. A incorporadora descobre a falta de caixa quando a obra precisa do dinheiro. Veja estudo de viabilidade.

A pergunta que toda incorporadora deveria responder a qualquer momento: se vendermos o estoque restante ao preço de hoje, quanto este empreendimento vai dar?

Como acompanhar o resultado durante a obra

Uma visão trimestral (no mínimo) com:

  1. Receita contratada: unidades vendidas × preço de contrato.
  2. Receita a contratar: estoque × preço atual de tabela.
  3. Custo realizado da obra e custo para terminar (realizado + comprometido + a comprometer). Veja controle de custos de obra.
  4. Despesas de venda e da incorporação (corretagem, marketing, tributos).
  5. Resultado projetado = receita total − custos totais, por empreendimento e por unidade.
  6. Recebíveis: a receber, em atraso e inadimplência.

Comparado trimestre a trimestre com a viabilidade original, isso mostra exatamente quando e por que a margem mudou — com tempo para reajustar a tabela, segurar descontos ou rever escopo.

Exemplo: o mesmo empreendimento, trimestre a trimestre

Acompanhamento ilustrativo da margem projetada de um empreendimento com viabilidade de 15%:

TrimestreMargem projetadaO que mudouDecisão possível
T215,0%lançamento dentro do previstomanter a tabela
T413,6%custo da estrutura 3% acimareajustar a tabela do estoque
T611,8%descontos para acelerar vendasrever a política de desconto
T811,2%inadimplência acima do previstoreforçar a cobrança

Sem a visão trimestral, as três decisões não acontecem — e o empreendimento chega aos 8% do exemplo da abertura.

O resultado por unidade

Nem toda unidade dá o mesmo resultado: andar, vista, tamanho, momento da venda e desconto concedido mudam a margem. Acompanhar por unidade mostra, por exemplo, que as unidades vendidas no lançamento com desconto agressivo puxaram a margem para baixo — e orienta a política de preço do estoque.

Patrimônio de afetação: o controle já é exigido

Nas incorporações com patrimônio de afetação, a lei já exige contas, demonstrativos e balancetes trimestrais separados por empreendimento. Quem tem vendas, obra e recebíveis no mesmo sistema cumpre isso sem montar relatório à parte. Veja patrimônio de afetação.

O EVOP para incorporadoras

No EVOP, o empreendimento nasce com blocos, unidades e tabela de vendas; o contrato de venda gera o fluxo de parcelas com a correção configurada (INCC, IGP-M e juros); as parcelas corrigidas entram no financeiro e no fluxo de caixa; e a receita das vendas encontra o custo da obra no mesmo sistema — com resultado por unidade e por empreendimento, posição de vendas, recebíveis e inadimplência (gestão de empreendimentos). O custo da obra vem do orçamento e da apropriação por etapa, e o DRE mostra o resultado consolidado. Para quem usa o CV CRM, há integração para reservas e reflexos financeiros, conforme a configuração. Conheça o EVOP para incorporadoras ou solicite uma demonstração.

Perguntas frequentes

Como calcular o resultado de um empreendimento imobiliário?

Receita total (vendas contratadas mais estoque ao preço atual) menos custo total da obra (realizado mais custo para terminar), despesas de venda, tributos e despesas da incorporação, com a mesma data de corte.

Por que a margem do empreendimento cai durante a obra?

Os motivos mais comuns: custo da obra acima do orçado, descontos de venda maiores que o previsto, inadimplência e despesas financeiras não previstas — quase sempre percebidos tarde por falta de visão conjunta.

Com que frequência revisar a viabilidade?

No mínimo a cada trimestre e sempre que houver mudança relevante de custo, preço ou ritmo de vendas.